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Diojns Freitas Guimarães
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Brasil e o Mundo
Postado em: 01/01/2018 às 08h09
TAMANHO DA FONTE  A- A+
Chance de impeachment de Trump fomenta mercado
Eventual impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump, ainda pertence ao plano das possibilidades na política

Um eventual impeachment do presidente dos EUA, Donald Trump, ainda pertence ao plano das possibilidades na política. Mas, se a causa ainda não ganhou contornos de urgência no Congresso, o mercado está em polvorosa.

Pelo menos três livros foram lançados no país neste ano, numa tentativa de explicar o tema ao público-geral.

Pela internet, vendem-se souvenirs como canecas com o tema "Faça a América Grandiosa Novamente: Impeach Trump", balinhas apelidadas de "impeachmints" e uma sugestiva "vela perfumada do impeachment". "Você está sentindo um cheirinho de impeachment no ar? Tomara que sim", diz a embalagem.

Aos brasileiros, o conceito é familiar. Mas os EUA nunca tiveram um presidente impedido, apesar de três processos já terem tramitado no Congresso ao longo da história.

"O povo americano raramente se concentra nisso. O que é bom. De certa forma, é ótimo. O impeachment é um remédio a ser usado como último recurso", escreve Cass Sunstein, professor de Direito em Harvard e autor do livro "Impeachment, um guia para o cidadão" (em tradução livre), lançado em outubro.

Ao longo de 2017, três deputados democratas entraram com pedidos de impeachment contra Trump. Mas os líderes da oposição ainda não encampam abertamente a causa, e dois dos requerimentos não iniciaram a tramitação oficial no Congresso.

Entre os motivos elencados para a saída de Trump estão um suposto conluio com os russos na eleição de 2016; obstrução da Justiça na investigação do FBI sobre o caso; a reação aos protestos supremacistas em Charlottesville, que acabaram em morte; e até os polêmicos tuítes do presidente, pela tentativa de minar a independência do Judiciário e da imprensa.

Os desdobramentos da investigação no FBI, que incluíram a demissão do diretor da polícia federal americana, James Comey, são as que mais animam a oposição e geram maior consenso entre especialistas sobre as bases para um pedido de impeachment por obstrução da Justiça.

Para Sunstein, porém, que não chega a mencionar Trump em seu livro, nem tudo justifica a saída de um mandatário. "A intensa oposição política não é causa suficiente para um impeachment", afirma o professor.

Na sua análise, mesmo os processos contra os presidentes Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998 –que chegaram a ser aprovados pela Câmara, mas acabaram arquivados pelo Senado–, eram inconstitucionais e foram movidos "por pessoas que estavam determinadas em derrubar um presidente que desprezavam". A exceção é o pedido contra Richard Nixon, em 1974, que acabou renunciando.

Segundo ele, o impeachment deve ser usado como uma salvaguarda da República, contra abusos de autoridade pelo mandatário ou crimes contra o país, que comprometam a sustentabilidade da democracia.

O livro de Sunstein esteve entre os mais vendidos em Washington, junto com "O Caso para Impeachment", do historiador Allan Lichtman.

Este último, lançado em abril, é menos sutil em sua abordagem. O autor, que aposta que o impeachment irá ocorrer até o final de 2018 ano, deve lançar uma segunda edição da obra no fim deste mês –desta vez, com uma foto de Trump na capa.O livro de Lichtman cita seis motivos que resultariam no impeachment. Entre eles estão abuso de poder no veto de viagens de cidadãos de países islâmicos, e crime contra a humanidade, ao negar o aquecimento global.

Para quem acompanha o Congresso, no entanto, a chance atual de impeachment é, na prática, pequena.

"Não há fumaça", diz o cientista político Arthur Lupia, professor da Universidade de Michigan. Segundo ele, a investigação do FBI sobre o suposto conluio de Trump com os russos ainda não trouxe elementos probatórios significativos contra o presidente.

Politicamente, a hipótese de o impeachment ser aprovado também é remota, já que os republicanos têm maioria no Congresso. "Há público para isso [lançamento de livros]. Mas, politicamente, não há chance", diz Lupia.

Líderes democratas pretendem aguardar o resultado da investigação do FBI sobre a influência russa.

Mas, por via das dúvidas, parte dos apoiadores de Trump já começou a articular o discurso de resposta: o impeachment é um golpe. Uma assertiva que também soa familiar aos brasileiros.



 
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